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terça-feira, 3 de setembro de 2013

no topo da cadeia


Na viagem de volta, o comissário de bordo decide que, como pedi uma refeição vegetariana, obviamente devo beber suco de laranja. Peço uma coca-zero, e ouço o clássico: ah, isso sim faz mal à saúde, muito mais do que carne.
Faz mal à minha saúde, não a dos outros, eu respondo. E com a dos outros quero dizer, dos animais. Cujas vidas, numa escala macro, têm tanto valor ou mais do que a sua, do que a minha, do que a de qualquer formiga, seu especista -- penso, mas não digo, claro. No espaço entre servir uma cadeira e outra eu não conseguiria explicar, e ele não parecia disposto a ouvir.
Estamos no topo da cadeia alimentar? Ótimo. Posso exercer o meu direito de me alimentar como eu quiser então?
Por que é tão difícil respeitar a opção alimentar dos outros? O que nos incomoda tanto?
Nunca quis converter ninguém. Vou a churrascos e fico feliz se tiver cerveja e amigos. Nem se fosse 100% vegan ou vivesse de luz ia me sentir superior a quem come carne. Não como porque não sou capaz. Se um dia estiver perdida numa selva a morrer de fome ou em outra situação extrema -- que sempre me colocam para testar a minha "convicção" no vegetarianismo-- aí não tenho como saber, realmente. Mas ser vegetariana para mim está longe de ser uma opção, é mais uma orientação.
Por que, como no caso da orientação sexual, algumas pessoas a encaram como algo ofensivo? Ou irracional, ou sem sentido (para elas)? Por que uma escolha alimentar tem que fazer sentido? Ter lógica, ter um arcabouço teórico para a defender? Não pode ser só uma questão de sensação, de empatia, de sentimento?

E talvez o principal -- por que a piadinha ou a ofensa é a saída mais fácil quando algo nos obriga a questionar/ refletir sobre as nossas escolhas? Por que não conseguimos apenas apreciar o diferente -- sem vê-lo como ameaça o tempo todo?