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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Say you'll see me again even if it's just in your wildest dreams

  

Standing in a nice dress, staring at the sunset, babe
Red lips and rosy cheeks
Say you'll see me again even if it's just pretend

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Versinkende Sonne - Noturno 2

Versinkende Sonne, Egon Schiele
You call this painting just a sunset…. Looking at this work, however, one would have to say, with all the appropriate melancholy, that the sun is sinking. It’s already grown dark and cold in the foreground, and every leaf on the twigs has grown stiff from the cold. And before such a deeply melancholic sky, which no artist before Schiele ever painted in such a way, I am even moved to ask: will this sun, which is just departing, ever return?”  -- Rudolf Leopold


quarta-feira, 6 de maio de 2015

O que me prende

"(...) as imagens não me faltam, mesmo nos sonhos normais. Mas destas só retenho as que notei imediatamente. A matéria dos sonhos, o grão das imagens, é sensível à luz;e essas notas correspondem à fixação da película na câmara escura. Apenas um fragmento ínfimo do mundo dos sonhos emerge na consciência e mesmo esse desaparece num abrir e fechar de olhos, se não o apanhamos de pronto."

"Portanto não é de imagens, semelhantes às que arrebataram e apavoraram de Quincey, que me recordo. Apenas a sua placenta tenho presente: o solo onde germinam e crescem. A mudança das imagens é precedida das mutações do espírito e da sua receptividade. Primeiro, é preciso criar o vazio, como acontece com qualquer quadro, filme ou manuscrito, que começa sempre por uma superfície branca. Há que neutralizar o tempo. Este leve impulso, desprovido de qualidade, era agradável. De vez em quando, campainhas discretas interrompiam-no, como que para alertar a atenção."

Drogas, Embriaguez e Outros Temas, Ernst Jünger

Sono e escrita

não importa o que se beba, o que se tome, o que se fume, ele não vem. Só quando quer. Quando amanhece e o dia já está quente entre os lençóis. Quando as pálpebras pesam e o há sabor metálico preso na garganta. Aí ele me domina – músculos em contração, enrolados estáticos no edredon, corpo que não se quer mexer, que se prende quieto como que para prendê-lo – qualquer movimento pode quebrar a magia, romper a barreira  flutuante que protege a esfera encantada do sono de todo o resto – do concreto e insípido, do real.
Ele só vem quando quer, e tudo que eu quero é tê-lo, retê-lo em mim, e ser nele - mergulhar no sem som do fundo dos olhos. Onde dizem que é vazio – porque não há dor, ou euforia? onde o vazio pulsa – calado e vivo, inquieto, ideal. 

Fotograma

Deitada no sofá, o poema na cabeça. As palavras formam de repente imagens, desenhando em fúria estradas, estações e placas com nomes de cidades longínquas. Flashes de cores estouram, num por do sol em rosa néon, laranja, malva: a luz ferindo os olhos em ruas queimando de frio, a neve enlameando as botas. Cidades de nomes com novas cores: Bratislava. Sarajevo. Vilnius. Países novos de remendos antigos; cicatrizes altas, rosadas e doídas como as minhas. Arrepiando-se ao toque. Fendas e feridas como mapas íntimos – a geografia em braile, não decifrável com os olhos.

Deitada no sofá, insisto: quero o que meus olhos não veem. As cores que desbotam, os cheiros que nos assaltam em novas esquinas, as paredes ruídas, esfarelando-se. No umbral de ir e ficar, no umbral de viver ou não, para que. No ir além do que não se sabe, do que se constrói a cada sentir.

domingo, 29 de março de 2015

Aquelas histórias clássicas de pessoas trancadas em casas e igrejas que pegam fogo, caves e subsolos que inundam. Você sente a fumaça, o cheiro, o pânico, não sabe quando será -- só sabe que não irá demorar muito. Você sabe que não há para quem rezar, para onde fugir nem pelo que esperar. Você concentra todo o seu ser na tarefa de conseguir passar pelo momento das chamas queimando a pele, das ondas encharcando o pulmão. Você não tem fuga e só pensa em como pode fazer para suportar o momento, sabendo que depois só há o abismo -- não há nada depois.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Cidade que aperto, batendo as asas - ela

Nunca tinha me acontecido, mas há sempre uma primeira vez: sonhei com um poema. Não meu, obviamente. Sonhei que lia Herberto Helder, e o poema falava de flores e cidades. Acho que o poema que eu lia não existia. Ainda. Mas este aqui  fala de tudo isso e muito, muito mais do que o meu inconsciente sequer poderia abarcar.

Em silêncio descobri essa cidade no mapa
a toda a velocidade: gota
sombria. Descobri as poeiras que batiam
como peixes no sangue.
A toda a velocidade, em silêncio, no mapa -
como se descobre uma letra
de outra cor no meio das folhas,
estremecendo nos olmos, em silêncio. Gota
sombria num girassol. -
essa letra, essa cidade em silêncio,
batendo como sangue.

Era a minha cidade ao norte do mapa,
numa velocidade chamada
mundo sombrio. Seus peixes estremeciam
como letras no alto das folhas,
poeiras de outra cor: girassol que se descobre
como uma gota no mundo.
Descobri essa cidade, aplainando tábuas
lentas como rosas vigiadas
pelas letras dos espinhos. Era em silêncio
como uma gota
de seiva lenta numa tábua aplainada.

Descobri que tinha asas como uma pêra
que desce. E a essa velocidade
voava para mim aquela cidade do mapa.
Eu batia como os peixes batendo
dentro do sangue - peixes
em silêncio, cheios de folhas. Eu escrevia,
aplainando na tábua
todo o meu silêncio. E a seiva
sombria vinha escorrendo do mapa
desse girassol, no mapa
do mundo. Na sombra do sangue, estremecendo
como as letras nas folhas
de outra cor.

Cidade que aperto, batendo as asas - ela -
no ar do mapa. E que aperto
contra quanto, estremecendo em mim com folhas,
escrevo no mundo.
Que aperto com o amor sombrio contra
mim: peixes de grande velocidade,
letra monumental descoberta entre poeiras.
E que eu amo lentamente até ao fim
da tábua por onde escorre
em silêncio aplainado noutra cor:
como uma pêra voando,
um girassol do mundo.


Herberto Helder

quinta-feira, 19 de junho de 2014

no sonho


E no sonho ele riu, os olhos mornos de sono e me deslizou para o seu lado e me envolveu em seus braços e me puxou para cima dele, suas mãos descendo da minha nuca deslizando pela coluna até a lombar, a bunda, as coxas – as partes preferidas dele. Eu queria dizer alguma coisa importante mas ele tapou minha boca, vindo com força. E depois adormeceu, o corpo em cima do meu, pesando até que eu deslizasse vagarosamente para não acordá-lo. De manhã estiquei o braço para o lado da cama instintivamente, mas só encontrei o vazio, a mão estendida no ar por segundos até eu perceber que tinha sido um sonho, que estava sozinha, na minha cama de solteira.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Por muito que eu te chame e te persiga

Será que o tempo é o espaço consagrado do Dois? E a proliferação do Dois converte-se sempre numa pluralidade infectada? O Mal é para Sophia (de Mello Breyner) uma ocorrência inexplicável. Serão os anjos revoltados? Serão os homens que não chegaram sequer a ser anjos? Não sabemos. Vemos apenas os resultados, a multiplicação dos monstros. Como se passa sem quase saber que se passa da pureza para a impureza? "Senhor da tua pura justiça / Nascem os monstros que em minha roda eu vejo / É porque alguém te venceu ou desviou / Em não sei que penumbra os teus caminhos // Foram talvez os anjos revoltados / Muito tempo antes de eu ter vindo / Já se tinha a tua obra dividido // E em vão eu busco a tua face antiga / És sempre um deus que nunca tem um rosto / Por muito que eu te chame e te persiga."

"A respiração azul das cores", In: A poesia ensina a cair, Eduardo Prado Coelho
(grifo meu)

quarta-feira, 19 de junho de 2013

aquamarine

Como uma concha vou de novo me fechando - calando os barulhos de fora e me concentrando nesse movimento interno e único de permanecer inteira e intacta, pronta para a próxima onda. Meu foco, lucidez, aumentam a cada vez que digo não, que atraso mais um embate, que deixo para o almoço, para o lanche, para o jantar, para o dia seguinte. As horas se tornam dias e eu vou ficando mais forte, mais sólida, pronta me proteger. De quê? Não sei. Não sei o que aconteceu. Agora nem dói nada, não há ataque do que me proteger.  Mas sinto que vou fechando - perdendo a voz, o tato, a vontade. Sobram segundos que escapam das fendas em sinais de fumaça para um outro que leia, escute, queira  -- um outro alguém.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

O comprimido amarelo bateu forte ontem à noite, e o efeito do antialérgico foi o esperado: dormi profundamente horas e horas sem acordar nem uma vez, e tive um sonho extremamente longo em que eu ia finalmente visitar o convento. O convento, claro, parecia a escola de freiras onde estudei quando era pequena: o prédio onde as freiras viviam era num sobrado antigo, com um jardim em volta e uma minicapela ao lado (com a imagem de Sta Teresa de Jesus); subindo as escadas da porta principal, o interior era surpreendente: as celas eram baias (azuis, como as da Rocco), com colchõezinhos de solteiro no canto e murais de cortiça com tarefas e recados pregados na parede. Quem me acompanhava era uma senhora de capuz negro (a Madre superiora); juntas percorremos os corredores com labirintos de baias de onde freiras entravam e saíam, e elas pareciam hamsters, só atividade e zero expressão. Paramos na porta de uma cela vazia (que poderia ser a minha, disse a Madre), e ali me avisaram que não era de bom tom -- mas eu até podia, nos primeiros meses -- colar posters de bandas na parede, e entrevi em uma das baias uma imagem pequena que parecia ser do Abbey Road dos Beatles, mas não deu pra ver muito bem. Ouvi um latido e percebi que uma das noviças escondia um Shi Tzu pequenino embaixo da escrivaninha; fiquei mais tranquila, afinal até poderia levar a Odetinha. A madre ia andando comigo pelas baias/celas, dizendo, num ritmo entusiasmado, que viver num convento não era exatamente morrer para o mundo -- não era só rezar, tinha muito trabalho para fazer: cuidar das plantas, das freiras mais velhas, do orfanato ali perto, dos pacientes no hospital x e y; as aulas de catecismo, os doces conventuais...fiquei desconfortável e ela deve ter notado minha resistência porque abrandou o ritmo e disse, num tom mais baixo, que tudo dependia da minha vocação: se eu quisesse também poderia ficar só lendo na cela durante um tempo, até descobrir uma tarefa em que eu realmente pudesse ser útil para as pessoas. Eu pensei que não queria ser útil, que a ideia de entrar para o convento vinha justamente da desconfiança de que talvez eu não tenha utilidade, e nesse caso o melhor seria ficar quieta num canto rezando pela paz mundial, sem incomodar ninguém. De repente me senti muito triste, como se nem ali houvesse repouso, até ali seria necessário funcionar da maneira, da ordem esperada para não desagradar ninguém. E pensei que talvez fosse melhor esquecer isso de convento e procurar algo como eu tinha no Sta Maria - um grupo de apoio, uma terapia em grupo com gente desajustada que não fizesse a menor questão de mudar, mas quisesse aprender a lidar melhor com essa incapacidade de fazer as coisas mais básicas do ser humano, tipo adormecer, comer, fazer alguém feliz. Passaram ao nosso lado três noviças de hábito branco e capuz laranja, e a madre comentou que aquela cor indicava que ainda faltava alguns anos para elas fazerem os votos, que ainda dava tempo de voltar atrás na decisão. Eu não entendi: pensei que sempre desse tempo de voltar atrás. Se bem que seria bem difícil "renascer para o mundo" depois de passar um tempo ali, seria mais difícil do que explicar tantas outras decisões e desvios errados, e ouvi aquela frase na cabeça repetindo que eu sempre escolho o caminho das pedras, e acho que fiquei triste novamente. Uma música começou a tocar de uma das celas e era algo meio lisérgico e calmo; reconheci alguns acordes e percebi que aquilo era um sonho e que o meu inconsciente era tão clichê que tocava Spiritualized num convento:)

domingo, 20 de janeiro de 2013

Percebo que estou no Porto pela tonalidade noturna do azul. Aquele azul pré-amanhecer, de quando as estrelas pulsam frágeis, antes de morrerem. As ruas muito escuras como só no Porto ou Budapeste-- ladeiras para cima, ruas pra baixo, trilhos finos ferindo o asfalto. Estou sozinha, sem mapa; não sei os caminhos, não há placas. Desço as ruas em direção à Ribeira, meu ponto de referência, chego à margem do Douro. Mas ele não é um rio e sim um miradouro, um precipício cheio de vultos subterrâneos. Sombras que andam em bando como ratos -- prendo a respiração para não me perceberem, viro de costas e acelero as pernas, batida. Corro todos os lados à procura da saída, mas a cidade pequena minimal não acaba nunca. Na estação de S. Bento vejo um rapaz de costas, tênis e jaqueta vermelhos. Peço informação e ele sorri, me pedindo dinheiro. Eu não tenho, digo, e ele sorri e se aproxima, sem ligar à mentira. Dou um passo pra trás, com cuidado -- ele tem os dentes escuros e as mesmas feridas no rosto como os rapazes que eu servia em Sta Apolônia, no Food for life, na época Hare Krishna. Ele chega mais perto e sei que é impossível sair sem pagar o pedágio; descubro no bolso umas moedas, entrego também a cartela de Frontal. Pra minha sorte, o Caronte se distrai com meus tesouros e me deixa passar. Corro em disparada em direção à avenida rezando para que amanheça no caminho, amanheça no processo.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Ophelia


Do prefácio: "Al Berto escreve para viver porque já não pode suportar a vida, porque não pode contar a ninguém, porque os afogados não falam."

Acordo de um sono em que voltava do mar e explicava às pessoas que não, não tinha morrido afogada, eu estava ali inteira, estava bem. As pessoas saíam, e eu continuavam explicando a mim mesma que não tinha morrido, e tocava a pele viva em cada poro encharcado de água  e sal, mas ali.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

As pessoas que falam para deixar a luz entrar não conhecem a escuridão. Porque não há espaço. A escuridão ocupa e preenche todos os átomos. Ela é como um gás, aparentemente leve, invisível, pensando em todas as nossas células. Não é possível se mexer quando ela cai, ela pesa em nossa pele. Não é possível gritar. A nuvem cobre o sol por segundos que parecem horas, e não controlamos nada além da respiração. Só resta esperar pelo momento em que o encanto se quebra - quando nosso corpo desperta e rompe o manto da imobilidade.
Às vezes no escuro há flashes de luz que aparecem como raios. Mas eles doem - são como choques disparados no cérebro.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Fecho os olhos e seu rosto me inunda sem pedir licença.  Esse sorriso estúpido que invade os lábios -- quando nas ruas, no ônibus, quando não percebo -- é de intensidade e frequência proporcional ao aperto no peito quando penso se sim, se não, ou se e se...?

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

I feel it all – II

 – mas se é por cada corte, fissura e quebra que o amor pode entrar, então agradeço por ser frágil, agradeço por sentir – 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Já não sonho com ondas - sonho com o fundo do mar. Verde escuro e cheio de algas. 
O livro que cai nas minhas mãos de manhã no trabalho é sobre a Arqueologia dos naufrágios.

Ela me disse que é normal essa coisa de escrever sobre o que ainda vai acontecer.

domingo, 25 de novembro de 2012

No sonho vivíamos perto da praia. Perto de uma falésia de onde as pessoas se atiravam. Toda a semana. Pelo menos um ou dois por mês. Aquilo se tornou um passatempo: passeávamos na beira d'àgua à procura dos corpos que davam à costa - tocávamos fascinados a pele fria azulada e examinávamos os olhos baços, revirados. No branco dos olhos era possível ler, ficava tudo gravado: tudo o que tinham visto e sentido nos momentos finais. Um dia em que não havia afogados, eu peguei na mão dele e pedi. Disse - olha nos meus olhos e descobre o que aconteceu -, você não consegue ler?

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

É um sonho dentro de outro sonho, plural nos particulares, único na substância. (...) continuando o sonho, pouco a pouco ou brutalmente, todas as vezes de forma diferente, tudo desmorona e se desfaz ao meu redor (...) Tudo agora tornou-se caos: estou só no centro de um nada turvo e cinzento. E, de repente, sei o que isso significa, e sei também que nada era verdadeiro fora do Lager. De resto eram férias breves, o engano dos sentidos, um sonho: a família, a natureza em flor, a casa. Agora esse sonho interno, o sonho de paz, terminou, e no sonho externo, que prossegue gélido, ouço ressoar uma voz, bastante conhecida; uma única palavra, não imperiosa, aliás breve e obediente. É o comando do amanhecer em Auschwitz, uma palavra estrangeira, temida e esperada: levantem, 'Wstavach'.
A trégua, Primo Levi

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Schwarzfahren

"der Schwarzfahrer" (1993)

Passávamos pela Alexanderplatz no ônibus a caminho da faculdade, mas nem reparei – eu e o colega sentados no banco tensos, último dia para a entrega do trabalho. O ônibus estava cheio de estudantes barulhentos e a custo eu me concentrava nos papéis no meu colo, me encolhia sobre o texto numa corcunda incômoda, lendo relendo cortando e reescrevendo o máximo que pudesse até chegarmos. Uma freada brusca e eu e meu colega sacolejamos para o banco da frente e os papéis voaram para o chão, e ele me ajudou a reuni-los de volta. Voltei com ainda mais ânsia à tarefa de escrever reescrever quando ele me toca nos ombros e diz que eles estão vindo. Pareço não ouvir e continuo curvada sobre os textos e ele diz é melhor você saltar logo porque eles entraram e vão pedir o passe, e aquilo soa tão bizarro na hora que  incrédula levanto a cabeça do papel quando um toque mais decidido no ombro pede o meu bilhete. Abro a carteira e retiro o passe – está escrito setembro e já é outubro, esqueci de renovar. Qual o preço do bilhete, do passe, quanto é a multa, posso pagar o que for, mas não me deporte –, peço, quando verificam meus documentos. Seu tempo acabou aqui, mocinha, diz o fiscal  –  mas eu pago o que for pra ficar, o que for.