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quinta-feira, 19 de maio de 2016

advice to the young and maniac...student

Se está cheio de ideias brilhantes, passe-as a escrito. Verifique a lista depois de estar estabilizado e decida quais as que fazem ainda sentido.


or rage against

enjoy the fucking ride and get shit done

-- on mania, insomnia etc

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

toska

Nabokov, sobre a intraduzível toska.
Dar nome aos bois sempre ajuda - ainda que seja em russo.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

leitura-fusão

não quero a crítica, não quero a análise. quero a leitura-encontro.o sol batendo no rosto, o vento vivendo nas faces, nas frases. quero leitura e releitura, a vivência, o toque das palavras, cores e sabores. não quero entender o poema - quero estar nele, ser com ele, ser ele e outra coisa e eu e nós e muito mais, infinitamente. Leitura-encontro- fusão de sujeitos, colisão de partículas em versos e entrelinhas, pertença mútua, a imanência que mescla corpo, espírito, palavra.
Quero muito?

terça-feira, 3 de setembro de 2013

no topo da cadeia


Na viagem de volta, o comissário de bordo decide que, como pedi uma refeição vegetariana, obviamente devo beber suco de laranja. Peço uma coca-zero, e ouço o clássico: ah, isso sim faz mal à saúde, muito mais do que carne.
Faz mal à minha saúde, não a dos outros, eu respondo. E com a dos outros quero dizer, dos animais. Cujas vidas, numa escala macro, têm tanto valor ou mais do que a sua, do que a minha, do que a de qualquer formiga, seu especista -- penso, mas não digo, claro. No espaço entre servir uma cadeira e outra eu não conseguiria explicar, e ele não parecia disposto a ouvir.
Estamos no topo da cadeia alimentar? Ótimo. Posso exercer o meu direito de me alimentar como eu quiser então?
Por que é tão difícil respeitar a opção alimentar dos outros? O que nos incomoda tanto?
Nunca quis converter ninguém. Vou a churrascos e fico feliz se tiver cerveja e amigos. Nem se fosse 100% vegan ou vivesse de luz ia me sentir superior a quem come carne. Não como porque não sou capaz. Se um dia estiver perdida numa selva a morrer de fome ou em outra situação extrema -- que sempre me colocam para testar a minha "convicção" no vegetarianismo-- aí não tenho como saber, realmente. Mas ser vegetariana para mim está longe de ser uma opção, é mais uma orientação.
Por que, como no caso da orientação sexual, algumas pessoas a encaram como algo ofensivo? Ou irracional, ou sem sentido (para elas)? Por que uma escolha alimentar tem que fazer sentido? Ter lógica, ter um arcabouço teórico para a defender? Não pode ser só uma questão de sensação, de empatia, de sentimento?

E talvez o principal -- por que a piadinha ou a ofensa é a saída mais fácil quando algo nos obriga a questionar/ refletir sobre as nossas escolhas? Por que não conseguimos apenas apreciar o diferente -- sem vê-lo como ameaça o tempo todo?

terça-feira, 18 de junho de 2013

lá e cá

Um lado romântico genuinamente  feliz  com a inquietação germinando nas pessoas – o outro descrente, duvidando do que possa haver de concreta vontade de mudança, para além da euforia desse movimento de  unir as vozes (que existe no carnaval, na missa, no entoar de mantras nos Hare krishnas e em qualquer festival de música) e do hype da revolução.

Desconfio de qualquer movimento (no sentido de moção) que lute em prol do bem comum de uma humanidade idealizada e generalizada, pisando nas flores pelo caminho. Desconfio de quem luta pela floresta e não quer aprender como cuidar de uma árvore –  que acha que isso é um detalhe numa luta muito maior.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Metades

(... ) E ele pensava como ela era adorável, ela cabia perfeitamente no seu mundo. Mas ela não queria completá-lo, mais do que a metade confortável da maçã, ela queria ser como um poema, comovê-lo,  movê-lo.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Top 10 dias felizes

Você nunca poderia imaginar, mas aqueles foram os dois dias mais felizes de que me lembro. Os dois dias mais felizes. Nós dois no bar com o nosso garçom, você me ouvindo e olhando como ninguém até então - você me lendo eu te lendo e nós dois, só os dedos enlaçados, a chuva inundando a rua e a tv no fundo com um atentado qualquer. Tão facilmente feliz como quando ganhei o Mick: quando senti o cheirinho de filhote e a barriguinha rosa do meu primeiro cachorro. Quando a irmã Fernanda me ensinou a rezar o terço, e eu passei o dedo pelas contas cor-de-rosa, pelas pérolas nos pai-nossos. Quando comprei o À sombra das raparigas em flor e deixei passar a estação e parei na última, só para continuar lendo -- ou quando o Guga, com dois anos, veio tropeçando e sorrindo, só pra me dar um abraço. Compete de igual para igual. Você nem poderia imaginar, eu nunca poderia te dizer. Aquela noite em que você percebeu e me tirou o cardápio, desviou minha atenção e ia me dando colheradas, me enganando -- ou aquele dia na água, sal e areia na boca e a tua pele quente na minha fria. Páreo duro com aquela viagem ao Alentejo, cerveja a metro, planícies de estrelas sem fim -- ou aquela vez em que ela encheu a casa de post-its fofos dizendo que me amava. Você não poderia, você não pode, não está ao seu alcance, e é só isso que tenho ao meu alcance: esses dias. As memórias desses dias. Que parecem de outras pessoas. De estranhos. Nós dois somos estranhos. Se você soubesse diria. como todos. que isso é desproporcional, que não pode ter sido tão bom, não é possível. Não é possível, lógico. Só é possível porque meus parâmetros são baixos, meus amigos diriam. Ou porque o que é pouco pra você pra mim é muito. Ou porque eu não esperava mais nada depois de tudo que se passou, e o pouco que me davam era tão raro e precioso - era tudo. Você não poderia nem imaginar quanto mais entender, você agora é mais um estranho, como tantos - invisível no gtalk para mim. Nunca esqueço o cheirinho de filhote da Odete. Até hoje ela tem a barriguinha rosa. E eu ainda tenho aquele terço com as pérolas da Irmã Fernanda. E ainda sei rezar. Embora já tenham passado mais de 20 anos. Acredita?

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Cair, perder o rumo  interno. O foco. O eixo que alinha coluna. órgãos, músculos, coração. Cair de amor. Tudo solto, sem nexo, sem. 
Em Portugal, dizemos "cheio de" mesmo para o vazio: posso estar tanto cheio de sono, ou de dor ou de alegria como cheio de fome, cheio de sede, cheio de saudade. Quando a ausência nos habita a ponto de transbordar, invadindo todo e qualquer espaço livre com a sua presença - vai invadindo, ocupa.

sábado, 16 de março de 2013

amores tantálicos

*"Tantalia" é a história de um casal que decide comprar uma plantinha para conservá-la como símbolo do amor que os une. Percebem, tardiamente, que se a plantinha morrer, morrerá com ela o amor que os une. E como o amor que os une é imenso e por nenhum motivo estão dispostos a sacrificá-lo, decidem fazer a plantinha se perder entre uma multidão de plantas idênticas. Depois, ficam inconsoláveis, infelizes por saber que nunca mais poderão encontrá-la.

Bonsai, Alejandro Zambra


quarta-feira, 13 de março de 2013

Ele disse que se ela não se cuidasse, ninguém ia cuidar.
Ela disse eu não sei se quero.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Your biggest problem as a superhero: Missing out on all of the glory that visible superheroes get

terça-feira, 10 de julho de 2012

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Às vezes eu falo

É impressionante, mas o que retiro de toda essa discussão é que as pessoas realmente pensam no livro como um legume, uma fruta. Pensam no livro como uma maçã, colhida diretamente do pomar da genialidade do autor, e que, impresso ou digital, cai rolando, fruto redondo vermelho e sem bichos, diretamente para as mãos do leitor.

Seja gala ou royal, essa maçã é "muito cara", as pessoas concluem. A população, “já faz muito em se interessar  pela leitura”, e os preços abusivos entre os 30 e os 60 reais só a "afastam ainda mais do conhecimento". O livre acesso ao saber  é direito de todos  –  é criminoso deixar alguém morrer de fome se a comida está à distância de um download. Mais absurdo ainda se o esfomeado é um pobre acadêmico que precisa de uns 30 a 40 trechos de livros para produzir seus trabalhos.

É impressionante, mas poucos mencionam o fato de que, para nascer e chegar até nós, leitores, o livro passa por um processo de produção. Um processo que  tem seus custos – que envolve pessoas, profissionais qualificados que  se esforçam para tornar aquele conteúdo cru que é o original num produto consumível.  Antes de querer “controlar a relação autor-leitor”, ou “deter o poder sobre o conhecimento”, esses profissionais precisam pagar suas contas.

Mas será que quem reclama o direito de ter livre acesso ao livro tem noção de quantas pessoas trabalharam naquele produto? Por quantas revisões, copidesques, diagramações, projetos gráficos, quantos meses aquilo levou? Pelas opiniões que leio, de gente inteligente e articulada, só posso concluir que  sabem, sim. Não creio que alguém chegue na pós-graduação ignorando algo tão elementar. Ou melhor, não quero crer.

Como ninguém nem mesmo menciona esse  trabalho de produção, só posso concluir o pior: que é mais cômodo ignorá-lo. Mais confortável. Para o próprio bolso.

É óbvio que é este o futuro que temos, que as editoras serão "atropeladas  pelo carro da História como a indústria musical". É claro que as editoras vão se adaptar, e com um grande sorriso no rosto, como é exigido. Mas se o futuro fosse a bomba atômica eu também não poderia fazer nada além de me conformar – daí a defendê-la vai um abismo. Com a crise surgem também novos caminhos, desafios, e  uma infinidade de possibilidades empolgantes para o setor, e não o seu fim, como alguns vaticinam. O que acho triste é ver que há pessoas vibrando com toda a mudança no setor porque vai ser mais fácil para elas  –  a graninha extra que gastavam com livros agora pode ir para a cerveja, a balada, o cabeleireiro. Pessoas que veneram tanto o livro e o saber, mas não se importam com a sua produção e, por consequência, com a sua qualidade. Muito triste.

* as aspas não são minhas. São coisas que ando ouvindo por aí. 

quarta-feira, 14 de março de 2012

Se não sei qual é o final de uma história, por que inventar? Na vida não há essas respostas prontas (em um segundo tudo o que é certo pode mudar, drasticamente). Por que então tentar cravar de respostas, certezas e sentenças a literatura? Por que tentar ter controle, quando ...?

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

The Hug by Nan Goldin (1980)

"A lot of people seem to think that art or photography is about the way things look, or the surface of things. That's not what it's about for me. It's really about relationships and feelings...it's really hard for me to do commercial work because people kind of want me to do a Nan Goldin. They don't understand that it's not about a style or a look or a setup. It's about emotional obsession and empathy."

Nan Goldin

(The hug sempre será das minhas preferidas). 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

De cidades e pessoas

É verdade: eu morro de ciúmes de Lisboa. E odeio quando as pessoas vão fazer "turismo exótico" na minha cidade. Odeio quando passam 10 dias lá e falam com propriedade dos lugares, dos sotaques, das pessoas. Da crise. Meu estômago se revira quando voltam das férias repetindo clichês e lugares comuns como se tivessem visto tudo. Como se fosse só isso.

[Odeio ser tão intolerante, mas é mais forte que eu. Tanto que, quando alguém retorna de viagem, me esquivo até de ver o álbum de fotos. Sei que as pessoas não fazem por mal e não quero magoar ninguém].

Acho que pessoas e cidades não são produtos que podemos embrulhar numa caixinha e colocar à mostra, à venda numa prateleira. Pessoas e cidades são no sendo, no ir e vir, se construindo segundo a segundo. O que captamos desse ir e vir diz mais do observador do que do objeto em si. Preciso citar algum filósofo übercool para justificar algo tão óbvio? Por isso a minha Paris tem cheiro de esgoto, a minha Budapeste morre em cores pastéis. Para mim elas serão sempre o que vi e senti – eu nunca vou dizer que é isso que elas são.

Cause everybody hates a tourist, especially the one who thinks all is such a a laugh, já dizia o profeta Jarvis, em Common People.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

sobre a sensação de um k.o

A fala meio solta, lingua relaxada, retardo mental e problemas de enxaqueca são os mais comuns com pessoas que costumam tomar muito nocaute.
Claro que quando o lutador é muito bom ele sabe evitar isso, mas impossível seguir carreira de lutador e não tomar alguns nocautes.


fonte: http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20110811090532AAGYpGD.