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terça-feira, 3 de setembro de 2013

E o que não passa

Há potes com mel e água espalhadas pelas ruas. São armadilhas para as abelhas, ele diz. Um menino desce da bicicleta na minha frente, sua voz de castrattio rindo me dói nos ouvidos. Nota a minha presença e faz caretas- eu sorrio, desarmando-o. Rapazes da terra descem das motos, bebem, fumam e tiram fotos de si próprios com o celular. Os velhos descem dos carros, param nos cafés e bebem e fumam, contam histórias de si próprios uns aos outros, as mesmas dos seus pais. De seus filhos. De seus avós. É verão, o sol só cai às 20h. Os sinos tocam de 30 em 30 minutos, marcando um passar da tarde que não passa. As crianças circulam cadeiras, se movem aos saltos, - as crianças não passam. Os rostos são os mesmos - dos velhos, jovens, viúvas e jovens esposas - o mesmo ar repousado de quem não deseja além das montanhas.

Os queijos, os legumes são fortes - o ar é puro, respiramos profundamente e descansamos os olhos pelos alpes, até perder de vista os cumes dos montes. Uma menina de saia de filó verde corre por entre as mesas -- I'm sorry daddy, ela repete rindo e saltitando -- lembro dos faunos da estrada, que só apareceram no aviso das placas, lembro dos contos de fada - rosa vermelha, rosa branca, flores que aqui crescem como arbustos em cada canto, como nas histórias do livro "O mundo da criança". Meu preferido, quando me escondia no armário da minha mãe para ler tranquila. A menina usa tranças e agora corre repetindo Grazie. E eu penso em uma menina pequena correndo num quintal, e sinto nas mãos as suas tranças, e sorrio.