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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Roman Holiday

“I have to leave you now. I’m going to that corner there and turn. You must stay in the car and drive away. Promise not to watch me go beyond the corner. Just drive away and leave me as I leave you.”
“All right.”
“I don’t know how to say goodbye. I can’t think of any words.”
“Don’t try.”

terça-feira, 19 de março de 2013

But you’ll have to be quick. Because… I took a shit load of pills.

Nos filmes as mãos se unem. os lábios se tocam. Na vida real, o estender a mão é um aceno vacilante e ambíguo, sempre de longe. 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Coda

Agora ela está no filme dentro do sonho: da esquerda vem
caminhando por entre as aves que no claro céu escrevem
verdes palavras novas e a vão de si mesma separando
para de novo à frente a reunirem e novamente a dividirem.
Como se ela fosse as sílabas separadas do seu nome nascendo:
fotografias sucessivas, algumas já perdidas, ou roubadas.

Quando chega ao fim do ecrã, à direita, o plano muda;
e ela vem agora em sentido contrário escandindo as luzes
do inverno numa rua nocturna dos subúrbios de uma cidade
onde nunca estiveste. Confundes o seu com outros vultos
e não sabes se é ela que foge ou se é ela quem distribui
a ameaça ou a elegância infinita de quem se perdeu.

Com as mãos empurra a fronteira da cena até que aparece
uma praia já por novembro dentro por onde vagarosa vem
mas triste não; rindo de qualquer coisa sem razão e sem som.
Subitamente parece interromper a travessia ao longo do ecrã
e olha para o sonhador que dentro do filme sonha a vida verdadeira,
É então que a luz a extingue e abre ao centro uma flor de fogo.

O plano muda outra vez. Ela reaparece vinda da direita; vem
andante; transporta consigo a luz e a sombra intermitentes; ela
é a sua própria declinação; ela distribui o fluxo e o refluxo
das imagens do mundo. A luz que ela decompõe e concentra
começa a queimar as margens do filme, as fronteiras do sonho.
Ela volta para trás no verso como se subisse até à nascença do canto.


Manuel Gusmão in 366 Poemas que falam de Amor 
Lisboa: Quetzal, 2003

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Sempre Odete


Da extensa galeria de "terroristas emocionais" do cinema e literatura, Odete ainda é a minha preferida. Não pelos motivos óbvios - a história de amor além-túmulo - nem pela acrobacia narrativa admirável  que a heroína executa ao se prender a esse amor. Nem por lembrar que nós todos vivemos de estrelas extintas, como diria Cristina Campo. Talvez por motivos que eu nunca vá conhecer. Da última vez que o vi, lembro de pensar no quanto de todos nós, leitores há na Odete. Nessa mulher que se despe da própria história para dar corpo à história do outro. Que se oferece inteira - não é esse misto de canibalismo, entrega e transcendência um ponto essencial do envolvimento com a ficção?
Vai ser estranho rever o filme agora no cinema, no festival - (depois de tudo, depois do fim). Nesse silêncio sem fuga, talvez seja preciso ouvir o que Odete diz.  

sábado, 15 de setembro de 2012

Closer


O arrependimento e a culpa são castigos suficientes, claro, ou seriam se fôssemos todos reais: pele, pelos arrepiando-se, corpo e alma movendo-se com as emoções. Mas não somos. Ou não sou, e eles não são. Fremd. Ou ausländer, o que não é o mesmo - a diferença entre vir de fora e ser, intrinsecamente, fora

Nos relatos do ex-oficial da SS, o arrependimento soa à princípio insuportável, um gosto metálico de remédio amargando na boca o resto da vida. Mas não. O arrependimento, ali, não tem a ver com o exercício da crueldade. O arrependimento é o de ter escolhido o caminho errado - o destino menos promissor. De não ter cumprido as ordens certas do superior/ ou de ter cumprido ordens cegamente, sem questionamento. A dor não está em ter sido capaz de tanta atrocidade, mas de ter fraquejado, de ter entrado por um caminho desviante, arriscado, que resultou mau. Não de roubar, mas de ter sido apanhado. 

A pessoa, obviamente, não consegue se conceber como cruel. Não tem essa cicatriz no espelho, porque exercer a violência, aqui, não resulta em trauma. Não há uma ruptura na identidade (como na daquele que sofre), e a pessoa não sente necessidade de reintegrar as fases partidas da sua existência. Não é preciso; há um desligamento total da violência - o "agressor" não se acha cruel porque o seu prazer não está no ato de crueldade, mas em outra coisa qualquer - seja no gosto arriscado pelo desvio, como no caso do cleptomaníaco, seja na obediência cega a uma estrutura externa, como no oficial que aplica tortura, no terrorista que leva, ao pé da letra, as palavras dos profetas.

Mas não seria esse desapego, esse desligamento, a maior crueldade possível - nem que seja com relação a si mesmo?
"O que os olhos não veem, o coração não sente" diz o ditado, mas desde quando o coração de quem mente está a salvo?

domingo, 25 de setembro de 2011





Try as he might, this gracious noble lord.
Who lifts his pen and thinks he then can write, 
Cannot. 
For who can pen when he is bored? 
The mind of leisure only can be trite. 
This pretty knight, who feebly lifts his sword, 
To make a witless thrust against his doom, 
Is foiled by what his noble birth affords:
Dogs, dogs, more dogs, and far too many rooms. 
So fortune smiles on those that own the land,
And frowns at trivia from the dabbler's hand.

from Orlando (movie)