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domingo, 8 de março de 2015

sobre girl hate, again

Quando eu tinha os meus 22, 23 anos, estagiei em produção de tv em Portugal, em  um programa sobre imigrantes. O trabalho apostava na integração pela informação, e basicamente consistia em fazer reportagens de imigrantes bem-sucedidos, bem integrados, fazer quadros com culinárias típicas de outros países ou denunciar casos de discriminação. O programa era financiado pelo governo e funcionava como uma fonte de informações para os imigrantes e também para os portugueses, que tinham a chance de (re)conhecer os recém-chegados do Leste, África ou Brasil como cidadãos iguais, lidando com todas as dificuldades normais da vida – além daquelas que a sociedade que não os acolhe impõe.

A ideia do trabalho era incrível. Pensei que iria aprender muito com aquele estágio. E aprendi – mas não só sobre o tema da imigração. (In)felizmente, minha lição ali teve mais a ver com puxadas de tapete profissionais, inesperadas e pior, vindas de mulheres imigrantes como eu.

Sem querer entrar em detalhes para não comprometer ninguém (não é esse o objetivo do post), descobri o que era girl hate adulto na minha primeira reportagem. Fui mandada embora para casa pela editora, que, sem nem ver o trabalho finalizado, avisou que meu tempo ali tinha acabado. Aparentemente a colega também imigrante que me acompanhou e disse que eu estava fazendo um ótimo trabalho não lhe deu o mesmo feedback. Fiquei confusa e sem entender nada (como a editora poderia julgar meu trabalho sem o ver, já que a fita estava ainda na minha mão?). Até que uma colega mais velha me abriu os olhos:

Eu era bonita, jovem, estudava na melhor faculdade de jornalismo do país e tinha todo o perfil para ocupar uma posição no programa no final do estágio. O que, pelo jeito, incomodou algumas pessoas. Mesmo que eu nunca tivesse nem esboçado a ideia de ocupar o lugar de ninguém.

Essa jornalista me deu a aula mais importante que já tive sobre como devemos nos unir e combater o girl hate que, no fim das contas, é um tiro no pé de todas as mulheres. Só quem sai ganhando com isso, no final, são os homens, vendo um bando de meninas competindo entre si para chamarem mais atenção seja profissionalmente, seja para agradá-los romanticamente/esteticamente.

Foi duro e inesperado o golpe, que partiu de alguém que considerava como amiga, mas também foi uma lição. Lembro que perguntei à minha colega mais velha o que eu poderia fazer para agradecer a ela. "Nunca tratar nenhuma estagiária, colega ou qualquer mulher dessa forma, porque estamos todas no mesmo barco", ela disse.
Um ensinamento que levei para a vida.

Pode exigir um pouco de treinamento para quem foi criada na base da competição, mas o que posso dizer é que é extremamente libertador, gratificante e motivante sentir orgulho e alegria pelo trabalho de outras mulheres (e homens tb). É libertador porque passamos a pensar que não há um pódio só para um vencedor na vida – há milhares de prêmios e troféus, e há espaço para cada uma/um de nós, com todas as nossas particularidades. Não há como ninguém ser melhor do que a gente porque ninguém é igual a gente. Isso é tão lógico – porque será que não nos ensinaram esse mantra no berço?

Nesse dia das mulheres, vamos celebrar as conquistas de cada uma de nós. Além de lutar pelos nossos direitos, ou acusar os homens de qualquer coisa, vamos pensar no que a gente tem feito de verdade para apoiar o trabalho umas das outras. Já é um bom começo.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

o sintoma está nos olhos de quem vê

Figure 1: Old conceptions about typical migraine patients. This point of view is no longer accepted