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terça-feira, 12 de novembro de 2013

escrever uma orelha, prefácio ou resenha para um livro de que se gosta pra mim é um ato de carinho. Com o autor, às vezes, mas essencialmente com o texto. Por isso aquela orelha, daquela autora, foi tão difícil - impossível estabelecer uma relação de propriedade com o texto, com a obra, com as páginas - impossível entrar, me fundir à obra, torná-la minha para depois transpô-la para a linguagem mais direta, simples/poética/formal whatever. Há técnicas, claro mas pra mim ela tem limites; com a técnica fica fácil escrever sobre algo que não se leu ou não se compreendeu, mas  fica aquele gosto amargo - é como se se estivesse roubando - é como se aquilo não saísse daqui de dentro efetivamente.
Se a tradução é uma prática erótica, a orelha, na prática -- por mais comercial que precise ser - deveria passar por aí.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Já não sonho com ondas - sonho com o fundo do mar. Verde escuro e cheio de algas. 
O livro que cai nas minhas mãos de manhã no trabalho é sobre a Arqueologia dos naufrágios.

Ela me disse que é normal essa coisa de escrever sobre o que ainda vai acontecer.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012



Autor ao telefone: Mas eu tenho certeza que meu livro vai vender. Meu livro é interessante. O tema é economia. O livro ensina a lidar melhor com dinheiro, fala de dinheiro, todo mundo se interessa por dinheiro. Você não se interessa por dinheiro não?

Olho para as estantes à minha volta, cobertas de volumes: os encalhados, amarelados; os novos, já ganhando a fina poeira do esquecimento. Poe, Goethe, Mallarmé, ao lado do melhor da nova poesia brasileira, romancistas jovens e vibrantes de talento... Penso em quantos deles falam de amor. Amor – quem não se interessa por amor? – Minha voz deve soar cansada:

Meu senhor, não é porque o tema interesse que o livro vá vender. Isso eu lhe garanto.