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terça-feira, 29 de março de 2016

trama e não o desenlace

Desde os 12 que desejo outra coisa. Nem sabia o quê, só sabia que queria outra coisa diferente, romper com a narrativa linear traçada à minha frente geração por geração.
Só não fazia ideia de que romper com a narrativa linear não significava necessariamente CRIAR outra.

Contabilizando quedas, tropeços, pensando os 50 passos à frente e os 150 para trás como manobra de dança podemos dizer que em termos de desconstrução ao menos evoluí bastante.

Nem eu mesma consigo acreditar na quantidade de pessoas que já fui. E no entanto o que há de essencial e único é sempre o mesmo e isso é quase invisível e poucos têm acesso, quase ninguém consegue reter. Nem eu

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Say you'll see me again even if it's just in your wildest dreams

  

Standing in a nice dress, staring at the sunset, babe
Red lips and rosy cheeks
Say you'll see me again even if it's just pretend

quarta-feira, 3 de junho de 2015

falling from grace

você não precisa dizer sim, responder likes, fazer nada se você já sabe o que eles querem e não, não é o mesmo que você.


sexta-feira, 24 de abril de 2015

Why is it so hard?



Quatro horas. A dor não passa. Meu corpo não aceita, não digere. Fica tudo preso aqui dentro, doendo, como um elemento estranho que não consigo incorporar. Quatro horas – já deveria ter passado.
Da próxima vez, tentar algo mais singelo. Baby steps. Não me violentar tanto. Porque, apesar de todos os avanços, infelizmente ainda é uma violência.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

to be here (still)


-Bem, de fome você você não vai morrer. (Amigo, tentando me acalmar ao saber que não ganhei bolsa)

- É, eu bem que já tentei algumas vezes, né? Nunca deu certo.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Só sendo forte posso dar força a alguém.
Pode vir mundo. Eu aguento.
Nós, aparentemente frágeis, só não exibimos nossa força – porque sabemos muito bem que não é do ego que ela vem.

domingo, 19 de outubro de 2014

[Não posso adiar o amor para outro século]

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração
António Ramos Rosa 

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Don't swim tonight, my love, the sea is mad my love




Dezoito paredes. Duas portas de vidro na pequena varanda de onde me debruçava para a rua. Memórias impregnadas como cheiro de cigarro no floral bege-rosa do sofá. Os furos queimados no colchão, tapetes e colcha, marca de cada amigo que ia passando. 500 sorrisos meus. 200 brigas e gritos e ameaças dele. 600 sorrisos dela. 900 abraços de cada um dos amigos que fiz lá, ou que vieram me visitar nesses 10 anos. Cada festa reunião, jantar, cenas passando como flashes enquanto tento apagar, deixar ir, dormir. Os almoços de sábado na época em que eu cozinhava para oito pessoas – e comia feliz. Os primeiros passos da Odete, tão pequena que eu tinha medo de esmaga-la quando ela acompanhava quietinha meus movimentos na cozinha. A mobília dele, indo embora no carreto, eu assistindo pela janela com uma taça de vinho branco. As malas dela, duas grandes e mais três sacos de lixo devidamente depositados na porta. O dia que encontramos uma estante na rua e carregamos 3 quarteirões até a casa e lixamos e pintamos de vermelho e penduramos na sala – não cabia livros, só cds. Na época ainda havia cds.

Eu voltando cedo da revista, dentro do comboio estranhando as ondas tão altas, no dia do terremoto. A fissura no alto do teto virando rachadura após o abalo. Eu no primeiro estágio, almoçando qualquer coisa e correndo de volta para o jornal. Chegando às 23h de um milhão de cursos que não serviram para nada. Nós sendo informados na reunião de pauta que a revista tinha falido. Eu desempregada, tomando chá, vendo Oprah, comendo tofu com coca-zero, plenamente consciente do tsunami que viria a seguir. 
–Você parece serena, com a decisão de ir embora, ela me disse. Meu pai nunca me pediria isso, ela acrescentou. 
– Não há nada a fazer além de esperar e manter a calma, respondi. Eu serei eu com todas as minhas questões em qualquer lugar do mundo – ela assentiu sem me dar muito crédito, enquanto ouvíamos Magnetic fields e comíamos azeitonas do Leste com café. ( o que havia).

Acertei, ainda sou eu. Tirando a alegria. De voltar para casa. Para a minha casa. Aquela em que eu pintei todas as paredes (com ajuda de amigos), do rodapé ao teto. Aquela para a qual escolhi a mobília, uma por uma no Ikea – ou achava na rua e pintava ou cobria com papel de parede cheio de patinhos e florzinhas ou outras estampas kitsch que me faziam sorrir de manhã. Aquela casa que tinha uma cortina pink, cenário preferido para as fotos dos meus amigos. Aquela que os meus amigos visitavam – na época em que parecia que sempre estaria rodeada por eles, e que sempre haveria kindred spirits à minha volta.

Eu disse que viria um tsunami e era só isso que sabia, sem detalhes. Rezava para não sobreviver e ter que recolher os destroços.

Ainda hoje desconfio do mar, desconfio das ondas. Elas vão e vêm exatamente como no dia do abalo – no terremoto as coisas não tremem, elas balançam, de um lado para o outro até você duvidar da própria sanidade. Observo o mar e espero; a onda parece que não quebra nunca. Quando me aventuro nas águas elas me reclamam e puxam logo para a parte alta, onde meus pés não alcançam, só para me atirar de novo à areia. Às vezes dá tempo de ficar uns segundos deitada, observando o céu. Sentindo a espuma apaziguar o corpo, lixado como se com pedra pomes. Os dedos, pernas e pés afundando na areia, como se parte da paisagem, uma concha qualquer.

Eu, que recolho e escolho conchas como se pedras preciosas.

Quem mais o faz?

domingo, 21 de setembro de 2014

raging every day


Se a vida pudesse ser só feita de livros, escrita, cachorros, flores, crianças e alguns bons amigos,
eu acho que
sim
já estaria valendo

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

no one can lift the damn thing

Sonhei que carregava nas mãos uma vela branca mas a chama era rosa,e eu tinha que segurá-la com todo cuidado, para não me queimar, para não deixá-la se apagar com o vento do meu movimento, para que ela não deslizasse pelos meus dedos e caísse no chão. Mas ela era linda, e iluminava de cor-de-rosa todo o corredor branco por onde eu passava. E lembrei dessa canção :



sábado, 23 de agosto de 2014

bordão

Quando "eu acho que você deveria" é a frase inicial de qualquer diálogo, do café da manhã ao chá da noite.

So put up your fists and I'll put up mine \ no running away from the scene of the crime

Why is it so
That I've always been the one who must go
That I've always been the one told to flee
When it fact you were the one long ago
Actually in the drifting white snow
You left me