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quinta-feira, 19 de maio de 2016

terça-feira, 7 de julho de 2015

Violetas



Além das palavras, dos sentidos, do chão, do céu, dos ais. Um tempo de maturação estranho – misterioso – até que um dia as feridas desabrocham quietas, deslizando em pétalas enrugadas, como se nada fosse, em flor. Rósea e tranquila, a violeta me encara alheia a tudo isso - inútil e real, como todos nós. Seiva sangrando viva, morrendo a cada lufada de oxigênio – mas inteira.

Penso em quantas vezes lhe neguei ajuda. Quantas vezes ela me disse que só eu a entenderia, que não aguentava mais o peso dos dias. E eu no início dizia que ia passar; depois deixei de acreditar – me afastei, sua dor me fazia mal. É difícil para mim perceber o quanto sou nociva – ela me escreveu uma vez. Releio seus e-mails. Eu não respondi. Porque era veneno que corria pelas suas palavras, quando ela agredia o mundo com sua dor, quando dizia que precisava de ajuda, senão…. era como uma flor carnívora; eu não me deixaria abocanhar pela ilusão de ser necessária – eu não me deixaria intoxicar.

As violetas não são tóxicas. Eu acho. Poderia colocá-las debaixo da língua e me deixar acalmar pela cor rósea, como um remédio sublingual. Qualquer um de nós já passou por isso: a tentação de ir para o nada, como ela ameaçou tantas vezes. Quando não se aguenta mais o peso do mundo.

Mas olho as violetas e, não. Resisto. Fecho os olhos e tento ser com a flor. No absurdo de abrir as pétalas apesar de tudo – nessa fé ingênua, e insistente, nessa (des)esperança louca.
De continuar florindo, apesar de tudo.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Why is it so hard?



Quatro horas. A dor não passa. Meu corpo não aceita, não digere. Fica tudo preso aqui dentro, doendo, como um elemento estranho que não consigo incorporar. Quatro horas – já deveria ter passado.
Da próxima vez, tentar algo mais singelo. Baby steps. Não me violentar tanto. Porque, apesar de todos os avanços, infelizmente ainda é uma violência.

domingo, 5 de abril de 2015

not afraid of your loneliness


when your loneliness touches mine
I shiver
I shatter
But I'm still here, feeling it all
I'm not afraid

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Família querida

Queridos familiares que cairam aqui por engano, ou porque jogaram meu nome no google, ou por que, sei lá.

1: Muito obrigada pelo interesse na minha vida café com leite
2: Tudo aqui é ficção, vocês sabem que eu escrevo, certo? Então, isso aqui é um caderno de rascunhos online. Nada, mesmo nada do qu escrevo aqui aconteceu da forma como está escrito.
3: Sério que não tem ninguém na família mais interessante para se pesquisar?

beijos e todo meu amor.

Cristina

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

everyday awards só que não

Campeã mundial no quesito pranto em transportes públicos – essa coroa ninguém me tira.

(se você alguma vez me vir chorando no 157, relaxa: até o engarrafamento me emociona)

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

ficar

Está tudo ali ao meu alcance. Na gaveta da mesinha de cabeceira. Minha melhor amiga, disse uma vez um ex. Ele tinha razão. Nisso ele tinha razão.
Está tudo ali ao meu alcance, na gaveta da mesinha de cabeceira, ao lado da cama. É só esticar os braços, puxar as cartelas - triturar com delicadeza o conteúdo numa vodka qualquer. E esperar pelo sono, que me tome de uma vez para sempre. Esperar pelo sono.
Tenho medo da espera. Da ansiedade da espera até que o efeito bata. Cigarros e mais cigarros até o corpo amolecer de cansaço e desistir, e mergulhar na cama, numb.
 E se não funcionar? -- e se acordar no dia seguinte de ressaca, com uma dor de cabeça horrível e o telefone tocando com pessoas que esperam de mim o meu lado mais solar? E se não funcionar e eu tiver que levantar, tomar banho, vestir alguma coisa e sorrir sorrir sorrir e comer comer comer para não ser mais um peso para ninguém.
 Esse defeito, essa coisa que não me permite deixar de sentir. Como eles podiam adivinhar? Minhas fotos felizes na infância. Eu era uma criança tão alegre inteligente criativa e independente, eles dizem.
I am myself, that´s not enough. 

Está tudo ali, ao meu alcance. Cada noite faço uma escolha. Olho as cartelas e desisto, apago as luzes, me enrolo em dois edredons. As coisas não vão melhorar, não há mágica. Mas se ainda consigo acordar e sorrir e sorrir e não magoar tanto quem nem tem ideia do que se passa, é menos penoso. Aguentar sozinha é bem  menos penoso do que ver a tristeza estampada nos olhos de quem não tem como entender a tua dor. Essa mesma, que nem você entende.

Fecho a gaveta,  fecho os olhos. Hoje decido ficar; amanhã logo se vê. 

segunda-feira, 26 de maio de 2014

in real life

Eu e minha mãe no carro, paradas no sinal. Um rapaz atravessa a faixa e me reconhece através do vidro. Ele esboça um sorriso, um tchauzinho tímido enquanto anda.~

- É um colega da editora, filha?
- Não mãe. É um personagem do meu livro.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

A correnteza continua


O tempo quente e o vento morno sopra no meu rosto. Não há ninguém na beira do rio, na margem privativa da pousada. Tiro o vestido, largo as sandálias e a bolsa na areia cheia de conchas da beira, caminho machucando a sola dos pés até o leito do rio. Devagarinho me aproximo mergulhando os pés, que tocam a areia grossa, como pequenas pedra-pome raspando a pele fina do calcanhar. 

A primeira sensação é a de susto – como se de repente me vestisse com um manto gelado que me cobrisse poro a poro, tomando aos poucos o corpo inteiro. A água é tão clara, vejo meus dedos dos pés, e a cor verde absinto do esmalte cobrindo as unhas.

A chuva da semana anterior derrubou árvores, a encosta está suja, os gravetos se confundem com o mato alto lá longe na outra beira. Deito o corpo, jogo a cabeça pra trás e molho os cabelos, afundando na água gelada, num déja-vu da banheira em Berlim. Não tenho tempo para me demorar na lembrança – a correnteza vem em minha direção, num ruído calmo e constante. Parece que tudo – minhas células, meus órgãos, essas plantas, esse rio – corre e vibra independente do meu querer. Independente da minha dor. Independente do meu coração. A correnteza continua, em S. Luís, Berlim ou no Rio. Fecho os olhos e penso só no ruído, tentando esquecer o coração.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Yet what would money do

I said to myself yesterday, reading Arthur Miller in Ted's studio, my foot-soles scorching on the stove. I feel a helpelessness when I think of my writing being nothing: for I have no other job --- no teaching, not publishing. And a guil grows in me to have all my time my own. I want to store money like a squirrel stores nuts. Yet what would money do. We have elegant dinners here: sweetbreads, sausages, bacon and mushrooms; ham and mealy oranfe sweet potatoes; chicken and garden beans. I wlked in the vegetable garden, beans hanging on the bushes, squash, yellow and orange, rhubarb. And wondered where the solid confident purposeful days of my youth vanished. How shall I come into the right, ricj full-fruites world of my middle-age. Unless I work. And get rid of the accusing, never-satisfied gods who surround me like a crown of thorns. Forget myself, myself. Become a vehicle of the world, a tongue, a voice. Abandon my ego
The Journals of Sylvia Plath - 16/09/1959