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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

o beijo que não se esquece


Algumas pessoas magoam a gente só para se tornarem inesquecíveis.
Algumas pessoas sacaneiam a gente só para que não esqueçamos que elas estão ali.
Algumas pessoas se apropriam do que é nosso não porque aquilo lhes interesse, mas só para chamar atenção. O mais divertido é quando elas se convencem que realmente desejam o objeto de desejo roubado.
Enfim. Algumas pessoas só fazem merda por aí e elas podem, porque são desequilibradas, doentes, ou amoralmente superiores, livres e se orgulham disso (moral e ética é para os fracos).







quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Família querida

Queridos familiares que cairam aqui por engano, ou porque jogaram meu nome no google, ou por que, sei lá.

1: Muito obrigada pelo interesse na minha vida café com leite
2: Tudo aqui é ficção, vocês sabem que eu escrevo, certo? Então, isso aqui é um caderno de rascunhos online. Nada, mesmo nada do qu escrevo aqui aconteceu da forma como está escrito.
3: Sério que não tem ninguém na família mais interessante para se pesquisar?

beijos e todo meu amor.

Cristina

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Diário do luto - cartas

"Continuo (dolorosamente) espantado de poder - finalmente - viver com minha tristeza, o que quer dizer, literalmente, que ela é suportável. Mas - sem dúvida - é porque posso, bem ou mal (isto é, com o sentimento de não o conseguir) dizê-la, fraseá-la. Minha cultura, meu gosto pela escrita me dá esse poder apotropaico, ou de integração: integro, pela linguagem.
Minha tristeza é inexprimível mas, apesar de tudo, dizível. O próprio fato de que a língua me fornece a palavra "intolerável" realiza, imediatamente, certa tolerância" - (Barthes, Diário do luto, p. 171).

* já perdi pessoas e países, mas nada parecido. Um pai, uma mãe. Ou um filho.
Ainda tenho esse livro guardado para você. Embrulhado. Junto ao outro, para dias mais felizes. Porque eu queria estar em ambos, nos felizes e nos difíceis.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

#latepost

Debaixo da jabuticabeira. A árvore no vaso, tronco e folhas, sem frutos - a saliva na boca, o gosto doce - e eu só penso em produzir mais para a sua gula, florescer. Só pelo prazer do seu olhar. Apoio a cabeça no recosto branco do sofá, as folhas frágeis dançam lá no alto, estico os braços, posso senti-las ainda. Aqui dentro.
Como controlar a entrega? Como equilibrar o já precário equilíbrio de quem não pode se dar de bandeja -- de quem tem que avaliar, com olhar de relojeiro com quem está lidando, quem está pedindo o quê - o que é preciso oferecer, e o que seria demais dar.
Só que, no fundo, nada seria.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

gtalk 1

Moi:
tem piscina e aula de yoga...parece um spa
uma semana num lugar desses deve custar mais do que um mês em Paris

BFF:
você detesta Paris

Moi:
a propósito, mais gente me entende : http://www.youtube.com/watch?v=ZMF7Jq8xNGI
ok, um mês em Berlim

BFF: e como é q é a rotina lá?

Moi:
n sei...

BFF: tem piscina no teu prédio. E você nunca vai. Não conta. 

Moi: É...
A D. acha que isso tudo é muito violento e me chamou pra um retiro hare krishna. No retiro eu teria comida abençoada, aulas de yoga, mantra, cachoeiras, natureza e zero internet...

BFF: 
natureza
n te deixa nervosa?
qdo eu estou triste
a beleza do mundo
me esmaga mais do que me anima
enfim

Moi: vamos ver
...
Sabe que eu ainda tenho esperança de um dia gostar de Paris?


segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

onde

Sempre que o avião pousava, passava pelo portão de desembarque atenta, imaginando que haveria ali alguém, à sua espera. Alguém saberia que ela estava chegando. Se ninguém perguntou nem disse nada, é porque seria surpresa. Empurrava devagar o carrinho de malas pela ladeira, os olhos dissecando cada um dos rostos, na esperança ainda de encontrar aquele. Nunca acontecia.
Uma vez esperou uma hora sentada nos bancos e até adormeceu, cabeça apoiada nas malas - ninguém apareceu. Então entrava na fila da cooperativa para pedir um taxi. Assistia ao motorista colocar as bagagens no carro, abrir a porta para ela, ligar o ar condicionado e o rádio -- a playlist era sempre um shuffle de canções de amor perdido e coração partido, como num filme ruim. 

E hoje, o mesmo. Tantos olhos, menos aqueles. O taxi sozinha na volta pra casa, sempre.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Our deal

O tamanho do que eu não digo me engole inteira. Sem palavras, me afogo no real. No mar sem sentido da realidade, sem legenda. O tamanho do que eu não digo é muito grande e belo e assustador, só não é maior do que o medo do que pode acontecer se eu abrir a boca e falar.
E da realidade nova que as minhas palavras podem criar.
E do que ele pode (não) responder.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

sustenido

Agora 5:16. Acordei espontaneamente pensando em você: os olhos úmidos de sono no travesseiro, os pelos ruivos da barba a meia luz da quase manhã, o movimento de ondas do peito, subindo e descendo com a respiração. E pensei que não sei se te disse, e tenho medo de não saber dizer assim, então digo, com os dedos na sua pele ou nesse papel, e digo que o melhor lugar de todos esses dias foi meu rosto no seu peito morno, meu corpo entre teus braços, nossa pernas - enlaçadas e exaustas, plenas. De todas as paisagens e vistas e miradouros, seu peito onde por segundos fico inteira e plena, os pedacinhos reunidos - e penso que não sei dizer, mas digo, meus olhos nos teus, sempre digo no susto sustenido,  a mezza voce.

sábado, 3 de agosto de 2013

búzios


Você me olha nos olhos e diz o que ninguém diz – as palavras me torcem, viram do avesso  a lógica, emudecendo as minhas respostas. Quebrando a casca -- a  concha que se parte em carne viva deixa rolar a pérola - a dor é nada perto dos olhos que ainda acreditam, que dizem que sim sim sim, você pode, rodando suave e inteira num beijo – e o pânico se desfaz num relance de luz: o que é o medo do salto perto de tudo o que poderia passar e não passar se eu continuar aqui, sem querer ceder, crescer, sempre no fugir.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Depois ia dizer-te para não ficares triste, que ninguém é adequado neste mundo (não sem se violentar, pelo menos) mas há uns que fingem melhor. Diria isto com uma cerveja à frente. Lembrei-me disso e as saudades voltaram.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

O comprimido amarelo bateu forte ontem à noite, e o efeito do antialérgico foi o esperado: dormi profundamente horas e horas sem acordar nem uma vez, e tive um sonho extremamente longo em que eu ia finalmente visitar o convento. O convento, claro, parecia a escola de freiras onde estudei quando era pequena: o prédio onde as freiras viviam era num sobrado antigo, com um jardim em volta e uma minicapela ao lado (com a imagem de Sta Teresa de Jesus); subindo as escadas da porta principal, o interior era surpreendente: as celas eram baias (azuis, como as da Rocco), com colchõezinhos de solteiro no canto e murais de cortiça com tarefas e recados pregados na parede. Quem me acompanhava era uma senhora de capuz negro (a Madre superiora); juntas percorremos os corredores com labirintos de baias de onde freiras entravam e saíam, e elas pareciam hamsters, só atividade e zero expressão. Paramos na porta de uma cela vazia (que poderia ser a minha, disse a Madre), e ali me avisaram que não era de bom tom -- mas eu até podia, nos primeiros meses -- colar posters de bandas na parede, e entrevi em uma das baias uma imagem pequena que parecia ser do Abbey Road dos Beatles, mas não deu pra ver muito bem. Ouvi um latido e percebi que uma das noviças escondia um Shi Tzu pequenino embaixo da escrivaninha; fiquei mais tranquila, afinal até poderia levar a Odetinha. A madre ia andando comigo pelas baias/celas, dizendo, num ritmo entusiasmado, que viver num convento não era exatamente morrer para o mundo -- não era só rezar, tinha muito trabalho para fazer: cuidar das plantas, das freiras mais velhas, do orfanato ali perto, dos pacientes no hospital x e y; as aulas de catecismo, os doces conventuais...fiquei desconfortável e ela deve ter notado minha resistência porque abrandou o ritmo e disse, num tom mais baixo, que tudo dependia da minha vocação: se eu quisesse também poderia ficar só lendo na cela durante um tempo, até descobrir uma tarefa em que eu realmente pudesse ser útil para as pessoas. Eu pensei que não queria ser útil, que a ideia de entrar para o convento vinha justamente da desconfiança de que talvez eu não tenha utilidade, e nesse caso o melhor seria ficar quieta num canto rezando pela paz mundial, sem incomodar ninguém. De repente me senti muito triste, como se nem ali houvesse repouso, até ali seria necessário funcionar da maneira, da ordem esperada para não desagradar ninguém. E pensei que talvez fosse melhor esquecer isso de convento e procurar algo como eu tinha no Sta Maria - um grupo de apoio, uma terapia em grupo com gente desajustada que não fizesse a menor questão de mudar, mas quisesse aprender a lidar melhor com essa incapacidade de fazer as coisas mais básicas do ser humano, tipo adormecer, comer, fazer alguém feliz. Passaram ao nosso lado três noviças de hábito branco e capuz laranja, e a madre comentou que aquela cor indicava que ainda faltava alguns anos para elas fazerem os votos, que ainda dava tempo de voltar atrás na decisão. Eu não entendi: pensei que sempre desse tempo de voltar atrás. Se bem que seria bem difícil "renascer para o mundo" depois de passar um tempo ali, seria mais difícil do que explicar tantas outras decisões e desvios errados, e ouvi aquela frase na cabeça repetindo que eu sempre escolho o caminho das pedras, e acho que fiquei triste novamente. Uma música começou a tocar de uma das celas e era algo meio lisérgico e calmo; reconheci alguns acordes e percebi que aquilo era um sonho e que o meu inconsciente era tão clichê que tocava Spiritualized num convento:)

terça-feira, 19 de março de 2013

But you’ll have to be quick. Because… I took a shit load of pills.

Nos filmes as mãos se unem. os lábios se tocam. Na vida real, o estender a mão é um aceno vacilante e ambíguo, sempre de longe. 

quarta-feira, 13 de março de 2013

Ele disse que se ela não se cuidasse, ninguém ia cuidar.
Ela disse eu não sei se quero.

sábado, 2 de março de 2013

Mergulho 2

A princípio só queria molhar os pés, mas a água morna me surpreende, os dedos dos pés relaxam e se esticam enterrados na areia. Sento na vala que se forma entre um banco de areia e outro, uma pequena piscina cálida onde crianças brincam com pás e baldes, deslizo e me deito para banhar o corpo na espuma. A água cobrindo a pele na temperatura ideal, como na banheira de louça do apartamento – os dedos enrugados e o vapor velando o espelho – pequenos bolos de cabelo castanho no chão de pastilhas brancas. Levanto e caminho alguns passos, vem aí uma onda: mergulho furando a curva antes da crista, no preciso local seguro em que me ensinaram – afundo no verde escuro e submergindo inteira, a água quase fria como um tapa de adstringente refrescando a face.

É tudo tão brilhante em volta que não consigo conter a ternura, olho para o lado – o sol beija a água dourando a superfície plana e tranquila como uma piscina, dobrando os joelhos me abaixo como uma criança, acarinhando a espuma brilhante. Mas aí vem outra onda, maior: calculo rápido a distância, mas não há tempo para correr. É então que cometo o erro: viro de costas e corro – a onda quebra exatamente nos meus ombros e caio, rolando como concha num embate árido entre pele, sal, cabelos e areia, rolando até ser devolvida para a costa como um seixo rígido.

Durante segundos após o nocaute permaneço assim, deitada de barriga pra cima, as nuvens altas e o céu azul claro absorvendo o olhar, a testa entupida de água, o sal na boca. Lentamente volto a sentir os braços, os músculos doídos do embate, a pele da bunda queimada do atrito, as pernas raladas. Lentamente levanto. Passo pela piscina das crianças, entre os bancos de areia. Ensaio mais um, dois passos. E aí vem mais uma onda. Não tenho tempo para virar de costas – a onda vem como um soco no queixo e me derruba mais uma vez, caio rodopiando como um novelo por segundos intermináveis até o corpo parar, e a água retornar ao mar. Viro o corpo pra cima; o céu é um quadrado azul.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

a simple answer

Amarelo ao acordar; branco no fim de tarde ; azul lavanda ao adormecer. Banhos frios pela manhã. Ultra quentes à noite, quando volto do frio das ruas. Está sempre frio nas ruas, no matter what.
Ando sempre com fones de ouvido. Óculos escuros. Pelo menos um livro. De poesia, de preferência. O Cures for love, do Stendhal, tem sido uma ótima companhia também.
Doo minhas noites de sábado para uma instituição religiosa de caridade. Faço pouco, o mínimo, o máximo que posso e não é nada. Quando esse nada ajuda minimamente a aliviar a dor dos outros, isso é bom. A dor dos outros nunca é pouca, nunca.
Escrevo sozinha. Para ninguém. É como atirar garrafas ao mar. Não mostro, não peço. Emudeço sorrindo. Me entrego 100% para o caderno.
 Colo poemas nas paredes. Uma amiga disse que a pessoa certa será aquela que reconhecer a autoria de cada um. Eu ficaria contente com alguém que tivesse interesse em ler. Ou que inventasse um sentido oculto na disposição dos papéis. Ou que, mesmo achando estranho, sorrisse.

Escrevo uma história sobre nós dois. Uma história que ele não vai ler. Não vou entregar. Não tenho esse direito. Não existe carta que não peça resposta. Então não envio mais. Sorrio e emudeço. 

O que deixa as pessoas mais tranquilas. Ninguém quer uma causa perdida ambulante. Ninguém precisa aguentar isso. Crescer talvez não seja parar de fazer sujeira, mas deixar a casa limpa depois. Pagar todas as contas e deixar tudo limpo, como li uma vez num conto de um livro que emprestei para alguém e nunca mais vi (a pessoa e o livro). As pessoas não têm culpa. Elas não sabem o que fazer quando nos embrulhamos e entregamos para presente. Elas deixam o presente cair - convenhamos, têm as suas questões e problemas para dar conta. Se pedir demais é uma forma de agressão, dar demais também pode ser. As pessoas também se sentem impotentes frente a um problema que não podem consertar. Fazer alguém se sentir assim não deixa de ser uma forma de violência. 

Ela disse que se tivesse um superpoder, seria o de fazer as pessoas felizes. Mas não era bem isso. Ela queria era não fazer mais as pessoas tristes. Infelizes e impotentes. Era só isso: lidar com tudo sozinha e não incomodar mais ninguém além do papel, do pulso, da caneta. Para não ter que sentir culpa, além de tudo. 

domingo, 16 de dezembro de 2012

Nunca


Ele abre a mochila e esvazia, uma a uma, as coisas que ela esqueceu: livros, cadernos, um chinelo; colares, uma saia, brincos. As coisas que ela deixou e ele guardou por hábito e por algum sentimentalismo e pudor que agora de nada lhe servem, já que ela não volta - ela disse que nunca, e nunca  era algo que ela sabia dizer. Então ele esvazia: uma a uma na estante e depois na gaveta e depois numa caixa e um dia num saco plástico do Pão de Açúcar, entre as garrafas para a reciclagem e o lixo orgânico que alimenta a garganta metálica da lixeira comum do andar do prédio.
Ela carrega a mochila e há tanta coisa ali dentro de que não precisa e já nem se lembra - ela não sabe ser leve, lhe dizem, não sabe ser. Ela abre a mochila e olha os livros, cadernos, o chapéu e tantas coisas. Cada objeto com sua cor única, mistura exata de tinta, poeira e desbotamento ao longo dos anos, e ela sente o desamparo das coisas esquecidas, e ela não consegue largar. Fecha novamente o zíper da mochila, não tem estômago para abandonar nada. Mil vezes o peso nas costas, mil vezes.

Eu misturo as histórias dela, com as minhas, com as deles e delas e as suas, e eu não consigo parar de sentir tudo o tempo todo, não consigo parar. Sonho com o delineador escorrendo no rosto vermelho dela, com as mãos trêmulas e os olhos vazios dele em frente ao iMac e acordo exausta e com dor em cada ponto do corpo. Como se tivesse levado uma surra. Como se tivessem me empurrado para o chão novamente - não lembro do tapa, só lembro da dor. Acordo e não quero nunca mais sonhar, nunca mais dormir.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012


Até dá para não olhar para trás ao deixar Sodoma e Gomorra. Mas como não olhar para Chernobyl?

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011


"I believe that the main thing in beginning a novel is to feel, not that you can write it, but that it exists on the far side of a gulf, which words can’t cross; that it’s to be pulled through only in a breathless anguish. Now when I sit down to an article, I have a net of words which will come down on the idea certainly in an hour or so. But a novel, as I say, to be good should seem, before one writes it, something unwriteable: but only visible; so that for nine months one lives in despair, and only when one has forgotten what one meant, does the book seem tolerable. I assure you, all my novels were first rate before they were written. If I could write them easily… then I should know they were plausible and ephemeral…" -- (V.W.)

The Letters of Vita Sackville-West to Virginia Woolf