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quarta-feira, 6 de maio de 2015

Desolée

Da janela as árvores choram uma ramagem estranha, folhas amarelas mancham o tapete escuro do chão. O banco de madeira cheira a cola, um odor cru penetrando as narinas e correndo até o pulmão à velocidade do frio. Essa cidade não me engana: ela se move silenciosa por detrás da névoa, num passo tão lento que me canso de olhar. Essa cidade não me inspira. O que move o olhar, aqui, é o degradée -- o rouge das pedras da muralha romana, o ferrugem das folhas na porta da igreja de saint anne, o tom morango no chantilly das faces infantis -- o rosée da cidra até o aveludado bordeaux. Ou o cereja dos tomates no canteiro, entre as rosas pequeninas.
Nada me move, nada me toca nesse silêncio enregelado em que ecoam todos os passos na rua. Nada me encontra.
Essa cidade não me engana, nunca.