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segunda-feira, 4 de maio de 2015

Lepidópteros

Lepidópteros - termo cunhado por Sá-Carneiro e propagado pela Orpheu que indicava ora  burgueses, ora artistas que viviam mais da atitude que da obra, ou melhor, aqueles que, como mariposas, vivem da luz do outro – presos ou a ideologias, a convenções sociais ou convicções artísticas. Parece que há uma gradação entre todos estes casos, um gap entre os lepidópteros artistas e aqueles que chafurdam na boçalidade lepidóptera, mas a Rapariga aqui ainda não leu o suficiente das Cartas (ou das obras do Mário de Sá-Carneiro) para poder explicar.

(...) como eu no fundo abominava essa gente - os artistas. Isto é, os falsos artistas cuja obra se encerra nas suas atitudes,  que falam petulantemente, que se mostram complicados de sentidos e  apetites,  artificiais, irritantes, intoleráveis. Enfim, que são os exploradores da arte apenas no que ela tem de falso e de exterior.

A confissão de Lúcio, Mário de Sá-Carneiro

segunda-feira, 19 de março de 2012

In that troubled water


Lendo as cartas do Mário de Sá-Carneiro, tenho tanta vontade de lhe dizer: sumir não é garantia de não sentir. Nunca foi.

sexta-feira, 16 de março de 2012

unheimlich

Tinha esquecido que as mariposas dormem debaixo da terra durante o dia. Despertam ao cair da tarde – todas juntas, num voo estranho, rompendo a grama para o alto dos prédios, em busca de luz elétrica. Só levantam, voo ao cair do sol, buscando uma outra luz.
São como morcegos, talvez.
Sempre vejo mariposas – ou lepidópteros, como se referem Mário de Sá-Carneiro e o seu querido Fernando Pessoa – entre canteiros de alfazema, como se um cheiro fresco, vivo, puro não pudesse existir sem esse senão.
A gente não deve esquecer de tudo. A gente não deve – diz o coração.