Mostrando postagens com marcador Hamlet. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Hamlet. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Ofélia – Meu bom senhor, como tem passado Vossa Alteza estes últimos dias?
Hamlet – Muito humildemente agradeço: bem, bem, bem.
Ofélia – Meu senhor, guardava de vós algumas lembranças que há muito tempo desejava devolver-vos. Peço que as recebais.
Hamlet – Não, eu não; nunca te dei nada.
Ofélia – Meu responsável senhor, sabeis perfeitamente bem que sim e acompanhando vossas dádivas com frases de tão doce alento que muito mais preciosas se tomavam. Perdido o perfume que possuíam, recebei-as novamente, porque para um nobre coração, os mais ricos presentes tornam-se pobres quando aquele que oferece o presente já não mais demonstra afeto. Ei-los aqui, meu senhor!
Hamlet – Ah, ah! És honesta?
Ofélia – Meu senhor!
Hamlet – E bela?
Ofélia – Que quer Vossa Alteza dizer?
Hamlet – Que se fores honesta e bela, tua honestidade não deveria permitir nenhuma homenagem a tua beleza.
Ofélia – Meu senhor, com quem a beleza poderia manter melhor comércio a não ser com a honestidade?
Hamlet – Sim, é verdade. Porque o poder da beleza transformará a honestidade em alcoviteira, muito antes que a força da honestidade transforme a beleza à sua imagem. Outrora, isto era um paradoxo, mas agora o tempo mostra que é coisa certa. Amei-te antes...
Ofélia – Foi, na verdade, meu senhor, o que me fizeste acreditar.
Hamlet – Não deverias ter acreditado em mim, pois a virtude não pode ser inoculada em nosso velho tronco sem que nos fique algum mau ressalto. Eu não te amava.
Ofélia – Tanto maior foi minha decepção.
Hamlet – Entra para um convento. Por que desejas ser mãe de pecadores? Quanto a mim, sou relativamente honesto e, contudo, de tais coisas poderias acusar-me, que melhor seria que minha mãe não me tivesse posto neste mundo. Sou muito orgulhoso, vingativo, ambicioso, com mais pecados na cabeça do que pensamentos para concebê-los, fantasia para dar-lhes forma ou tempo para executá-los. Por que hão de existir pessoas como eu para se arrastarem entre o céu e a terra? Todos nós somos
consumados canalhas; não te fies em nenhum de nós. Segue teu caminho para o convento.

Mais