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quinta-feira, 5 de julho de 2012

Enquadramento

O José Luís Peixoto tem uma tatuagem singular no braço esquerdo: uma moldura vazia. De vez em quando ele pede para algumas pessoas deixarem algum desenho no espaço-tela que é o próprio pulso. O resultado de cada uma destas intervenções/contribuições pode ser acompanhado no blog  http://moldura.blogs.sapo.pt .

Lembrei deste post quando estava no site do Molduraminuto -- semanas à procura de uma loja que faça molduras e entregue em casa a um preço viável. Mas eu não deveria ter tanta pressa.
A última vez que preguei um quadro ele se espatifou no chão de madrugada. Acordei com os latidos dela e a visão do Fernando Pessoa esmagado no chão por caquinhos de vidro. Não se zanguem com ela, são tolerantes com ela, pediam os deuses e a Margarida Pinto, cantando no meu meio sono. A minha obra? A minha alma principal? A minha vida? Um caco, diz o poeta, debaixo dos pedacinhos que brilham.


sexta-feira, 16 de março de 2012

unheimlich

Tinha esquecido que as mariposas dormem debaixo da terra durante o dia. Despertam ao cair da tarde – todas juntas, num voo estranho, rompendo a grama para o alto dos prédios, em busca de luz elétrica. Só levantam, voo ao cair do sol, buscando uma outra luz.
São como morcegos, talvez.
Sempre vejo mariposas – ou lepidópteros, como se referem Mário de Sá-Carneiro e o seu querido Fernando Pessoa – entre canteiros de alfazema, como se um cheiro fresco, vivo, puro não pudesse existir sem esse senão.
A gente não deve esquecer de tudo. A gente não deve – diz o coração.