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terça-feira, 20 de maio de 2014

Por muito que eu te chame e te persiga

Será que o tempo é o espaço consagrado do Dois? E a proliferação do Dois converte-se sempre numa pluralidade infectada? O Mal é para Sophia (de Mello Breyner) uma ocorrência inexplicável. Serão os anjos revoltados? Serão os homens que não chegaram sequer a ser anjos? Não sabemos. Vemos apenas os resultados, a multiplicação dos monstros. Como se passa sem quase saber que se passa da pureza para a impureza? "Senhor da tua pura justiça / Nascem os monstros que em minha roda eu vejo / É porque alguém te venceu ou desviou / Em não sei que penumbra os teus caminhos // Foram talvez os anjos revoltados / Muito tempo antes de eu ter vindo / Já se tinha a tua obra dividido // E em vão eu busco a tua face antiga / És sempre um deus que nunca tem um rosto / Por muito que eu te chame e te persiga."

"A respiração azul das cores", In: A poesia ensina a cair, Eduardo Prado Coelho
(grifo meu)