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domingo, 10 de fevereiro de 2013

Bloco do não quero mais saber

Procuro por ele em todos os blocos. Em todas as praças. Em todas as barbas e bigodes que arranham minha pele. Procuro por ele, ele procura por ela. Em todos os blocos. Em todas as bandas, os shows. O céu clareia pela manhã - ele dorme, e é nela que pensa. Onde ela está - pode estar em qualquer lugar. Eu estou aqui - só esticar a mão e tocar - invisível, sempre invisível.
Ele procura. Eu não quero mais saber.
Eu procuro pelo sono, que nunca vem. Pelo alívio de não ter fome. Pelas palavras, que me alimentam sem dor. O escuro fica roxo com essa luz - a cor vibra estranha, errada e viva no cardíaco. Louca, engraçada por continuar sorrindo e amando as mais pequenas coisas que me enchem de ternura. Um pássaro desajeitado, uma flor que não rompe o botão. Tudo que há de falho e verdadeiro. O que o mundo esmaga.
Eu não quero mais saber. Eu faço o que posso, ele não faz nada. Não imagina, não pressente - descarta. Preso na miragem de um amor que se foi. Não vê a flor que poderia romper o botão. As últimas estrelas insistentes pela manhã. Ele quer ser cego e eu sou invisível - mas era só estender a mão. Mas não. Então procuro pelo sono, por essas linhas, pelo alívio de não ter que comer. A sombra verde clara nos olhos, a purpurina no corpo, as pérolas da fantasia. Sorrio, me enfeito, protejo da dor quem ainda me quer bem. E não quero mais saber.