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domingo, 16 de dezembro de 2012

Nunca


Ele abre a mochila e esvazia, uma a uma, as coisas que ela esqueceu: livros, cadernos, um chinelo; colares, uma saia, brincos. As coisas que ela deixou e ele guardou por hábito e por algum sentimentalismo e pudor que agora de nada lhe servem, já que ela não volta - ela disse que nunca, e nunca  era algo que ela sabia dizer. Então ele esvazia: uma a uma na estante e depois na gaveta e depois numa caixa e um dia num saco plástico do Pão de Açúcar, entre as garrafas para a reciclagem e o lixo orgânico que alimenta a garganta metálica da lixeira comum do andar do prédio.
Ela carrega a mochila e há tanta coisa ali dentro de que não precisa e já nem se lembra - ela não sabe ser leve, lhe dizem, não sabe ser. Ela abre a mochila e olha os livros, cadernos, o chapéu e tantas coisas. Cada objeto com sua cor única, mistura exata de tinta, poeira e desbotamento ao longo dos anos, e ela sente o desamparo das coisas esquecidas, e ela não consegue largar. Fecha novamente o zíper da mochila, não tem estômago para abandonar nada. Mil vezes o peso nas costas, mil vezes.

Eu misturo as histórias dela, com as minhas, com as deles e delas e as suas, e eu não consigo parar de sentir tudo o tempo todo, não consigo parar. Sonho com o delineador escorrendo no rosto vermelho dela, com as mãos trêmulas e os olhos vazios dele em frente ao iMac e acordo exausta e com dor em cada ponto do corpo. Como se tivesse levado uma surra. Como se tivessem me empurrado para o chão novamente - não lembro do tapa, só lembro da dor. Acordo e não quero nunca mais sonhar, nunca mais dormir.

domingo, 16 de setembro de 2012

Oh time great healer

Numa entrevista antiga, o Bill Callahan comenta que o seu último emprego foi passar o ano inteiro cuidando de uma mentally disabled woman. Dizem as más línguas que ele estava se referindo à Cat Power. Enfim, depois dela veio a Joanna Newson e o resultado foram – adivinhem?– mais acordes de miséria emocional. Se bem que o namorado da Joanna atualmente parece uma pessoa mais solar, como ela.

É claro que há maneiras diferentes de se viver o amor, como há pessoas diferentes no mundo. Há pessoas que sentem algo avassalador e acordam um dia sem sentir mais nada, prontas para a próxima – outras sentem algo intenso mas constante, e cultivam, preservam, gostam de cuidar desse sentimento. E há outras que... sei lá. Há Chan Marshalls, que desabam ao saber que o ex já está morando com outra, mesmo 6 anos depois (o que no nosso tempo é muito tempo). As pessoas são diferentes, claro. Nem melhores, nem piores, só diferentes. Há Chans, Bills, Joannas, e uma miríade de gradações aí no meio que fazem a riqueza do ser humano.

Eu me pergunto se essa música surgiu antes ou depois. Se a pessoa sabe que não é constante, que o sentimento pode sumir tão rápido quanto surgiu, não tem porque deixar o outro pensando que pode ir além. Se há dúvida sobre essa possibilidade de ir além, há grande probabilidade de nem haver possibilidade. Pena que seja tão difícil iluminar a maneira como funcionamos, e perceber como funciona o outro. Pena, porque aí nos perdemos.
Sim, amores acabam todos os dias. Com a mesma facilidade como começam.
O amor não. 


At first her warmth felt good between my legs
Living breathing heart-beating flesh
But soon that warmth turned to an itch
Turned to a scratch
Turned to a gash
I break horses
I don't tend to them




She knows not the length of your hair in my hands
...
You win,
I'll give in,
I forgive you

Oh time, great killer healer

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

If you could only stop your heart beat

-É o meu coração. Tá doendo demais.
-Coração não dói, filha. Coração bate ou não bate.
- ...
 -Se você tá sentindo dor é porque está batendo, o que é bom sinal.