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terça-feira, 14 de setembro de 2010

Emerging Adulthood

"Quando escrevi as canções não andava feliz". Houve ali uma ligeira pausa, como que para reflectir, embora possivelmente tenha sido para afagar o seu gato, ostentado na capa, e enfim a frase: "Andava confusa, a sentir que estava a ser manipulada numa relação, a pensar nas minhas relações passadas, a pensar o que fazer com a vida".

Ela diz isto com a mais absoluta inteireza, sem pose, tudo limpo. Não é um tratado ontológico, é um símbolo: daquilo a que o psicólogo americano Jeffrey Jensen Arnett chamou "Emerging Adulthood", a ambiguidade entre ser adolescente e ser adulto, aquela sensação de que aos quase trinta ainda não se assentou como se esperava de nós, e que mesmo quando se assume uma responsabilidade há sempre o quarto dos pais à espera.

Arnett tem estudado o caso ao longo das últimas décadas e defende que os vintes deviam ser vistos como uma nova faixa etária. A seu favor, mais que as suas pesquisas, tem a obra completa do cineasta Wes Anderson - e os maravilhosos Best Coast.

É isso que esta música representa: um último Verão, uma última adolescência quando o Verão já acabou e a adolescência já passou: aquilo lá fora é o Inverno e isto que é nada é a tua conta bancária. Mas enquanto não cortarem a electricidade, pode-se ouvir os Best Coast.

+ aqui, em mais um artigo brilhante do Ípsilon