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terça-feira, 19 de março de 2013

Quando vejo, já deslizo as mãos pela laminação em brilho da capa. Meus olhos param na imagem estampada - um still em p&b de um dos seus diretores preferidos, no livro de um dos seus autores preferidos. A estante de poesia me espera sugerindo vários comfort books para o dia – e eu me perco na imagem congelada, o retrato que algum dia irá prender os olhos dele também.
Você desiste fácil, você não se esforça – , minha mãe diz, é verdade, talvez eu não queira mesmo. Já não quero o café, já não quero o que vim comprar, já não quero mais nada. Melhorar. Para que, para quem. De que me serve isso, a quem serve?
Passam por mim como sumo de toranja por um passador roto – como diz Adília. Ficam memórias e memoriais aqui dentro – ruas, praças. Miradouros. Nomes e gostos. O perfume subitamente no travesseiro – resquício de um sonho, de um delírio. As saias e vestidos que lhe ficariam bem. As pessoas não se separam, as pessoas se abandonam, –  iz Sofia a Rímini. As pessoas num supermercado, experimentando, gostando e enjoando, devolvendo à prateleira.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

emenda muito os seus poemas

"os papéis que os herdeiros vão encontrar
depois da sua morte
parecem palimsestos
mas as emendas são como um eczema
sobre uma pele de que nunca se gostou"


O poeta de Pondichéry
, Adília Lopes