sexta-feira, 1 de abril de 2016

Big bang


Ando na rua olhando para o chão de pedras portuguesas quando duas senhoras rindo me fazem voltar a cabeça para elas e depois para o céu – no azul, a dança atômica das aves que se unem e separam em grandes cardumes rasgando as ondas de ar quente do fim da tarde. Havia um fenômeno qualquer com esse nome – uma vez ele me explicou – já esqueci, percebo com um sorriso. Já não me lembro. A grata surpresa de de repente se pegar esquecendo. Os pássaros o sol o céu o azul e as senhoras dançam em meu peito num equilíbrio perfeito, num segundo frágil em que tudo se encaixa  antes de desmoronar para o caos natural e sem sentido em que vivem as coisas. Num segundo mínimo de um piscar de olhos – cílios com cílios disparando o big bang do universo fruto de uma mente em repouso e o pulso insistente do peito.


Um comentário:

  1. Essa coisa da beleza presente no que parece estar ali pra qualquer um...

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