quarta-feira, 6 de maio de 2015

Sono e escrita

não importa o que se beba, o que se tome, o que se fume, ele não vem. Só quando quer. Quando amanhece e o dia já está quente entre os lençóis. Quando as pálpebras pesam e o há sabor metálico preso na garganta. Aí ele me domina – músculos em contração, enrolados estáticos no edredon, corpo que não se quer mexer, que se prende quieto como que para prendê-lo – qualquer movimento pode quebrar a magia, romper a barreira  flutuante que protege a esfera encantada do sono de todo o resto – do concreto e insípido, do real.
Ele só vem quando quer, e tudo que eu quero é tê-lo, retê-lo em mim, e ser nele - mergulhar no sem som do fundo dos olhos. Onde dizem que é vazio – porque não há dor, ou euforia? onde o vazio pulsa – calado e vivo, inquieto, ideal. 

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